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Produto mínimo viável: o que é, o que não é e quanto custa um de verdade
Um MVP não é a versão ruim do produto: é a menor versão que já ensina algo sobre quem vai usar. Eu explico como decidir o que entra, mostro projetos que você pode conferir e quanto custa fazer um no Brasil em 2026.
Por Juan José Nieva9 min de leitura
Última revisão: · definição, faixas de mercado e regras das lojas conferidas nas fontes

Neste artigo
Resumo: o que você precisa saber em um minuto
- Produto mínimo viável é a menor versão que ensina algo sobre quem vai usar. O mínimo é o esforço, não a qualidade: o que se corta são funções, não o cuidado com as que ficam.
- Um MVP não é protótipo nem demo. Ele vai para a mão de usuários reais e funciona de verdade, mesmo que faça uma coisa só.
- O filtro do que fica de fora é uma pergunta: isso ensina algo sobre o usuário? Se não ensina, espera a próxima etapa.
- No mercado, um MVP de aplicativo começa em R$ 20 mil. Na DIO, em R$ 10.000. São 4 a 6 semanas. Um MVP de sistema web começa em R$ 15.000.
O que é um produto mínimo viável, em uma frase
MVP é a sigla em inglês de minimum viable product: produto mínimo viável. A definição mais citada é de Eric Ries, que popularizou o termo. Para ele, o MVP é a versão de um produto novo que permite ao time aprender o máximo sobre os clientes com o menor esforço.
Repare onde está o «mínimo»: no esforço, não no produto. O próprio Ries avisa que o MVP, apesar do nome, não é sobre fazer produtos mínimos. É sobre descobrir cedo se a ideia tem quem queira usar, antes de gastar o dinheiro de um produto inteiro.
Por isso, a primeira pergunta que eu faço não é «quais telas o app vai ter». É «o que você precisa descobrir primeiro». A resposta define o MVP: tudo o que ajuda a descobrir isso entra, e o resto espera.
O que um MVP não é: protótipo, demo nem «versão ruim»
Três coisas costumam ser chamadas de MVP sem ser. A diferença está em quem usa e no que dá para aprender com cada uma:
O protótipo tem valor, e hoje sai rápido com IA. Mas ele pula tudo o que nunca aparece numa demo: quem entra e o que cada pessoa pode ver, onde ficam os dados dos usuários, os testes e um lugar para mexer sem derrubar o que está no ar. Um MVP precisa disso desde o primeiro usuário, porque é um produto de verdade, só que pequeno.
E um MVP bem feito não é descartável. Se a ideia se provar, ele cresce na mesma tecnologia, a partir do que já está no ar. Se alguém disser «isso é só para testar, depois a gente refaz», pergunte quanto vai custar o refazer. Já tem um protótipo feito no Lovable, no Bolt ou no Replit? Ele pode ser o ponto de partida, como conto em MVP para startups.
| O que é | Quem usa | O que ensina |
|---|---|---|
| Protótipo | Você e o seu time, numa reunião | Se a ideia cabe numa tela. Ainda não diz se alguém usaria |
| Demo | Investidor ou cliente, numa apresentação | Se a ideia convence quem assiste, que nem sempre é quem vai usar |
| «Versão ruim» do produto | Usuários reais, que desistem | Pouco: se ninguém volta, não dá para saber se foi a ideia ou o defeito |
| MVP | Usuários reais, no dia a dia | Se o fluxo principal resolve o problema de quem usa |
Como decidir o que fica de fora do MVP
O filtro que eu uso é uma pergunta só, feita para cada função da lista: isso ensina algo sobre o usuário? Aplicada às funções que mais aparecem num primeiro app, ela dá isto:
Essa tabela não é teórica: é o que entra e o que fica de fora do MVP na DIO. Cada item de baixo vira uma etapa seguinte se os usuários pedirem, e aí já não é palpite.
Na prática, eu escrevo isso num planejamento curto, com exemplos do tipo «quando acontecer X, o produto faz Y», e com uma lista explícita do que não entra. Você aprova antes de qualquer código. A lista do que fica de fora vale tanto quanto a do que entra: é ela que segura o prazo e o preço.
| Função | Ensina algo sobre o usuário? | No MVP |
|---|---|---|
| O fluxo principal (pedir, agendar, registrar) | Sim: é exatamente o que se quer provar | Entra |
| Login | Sim: sem ele, não se sabe quem voltou | Entra |
| Painel simples | Sim: é onde se vê o que os usuários fazem | Entra |
| Uma integração (pagamento, e-mail ou IA) | Muitas vezes: um app de agendamento sem pagamento não ensina se as pessoas pagariam | Entra, uma só |
| Vários perfis de usuário (cliente, entregador, administrador) | Raramente na primeira versão: cada perfil é quase um app à parte | Fica para depois |
| Uso sem internet | Só se os usuários já trabalham sem sinal | Fica para depois |
| Chat em tempo real | Quase nunca: no começo, o WhatsApp resolve | Fica para depois |
| Migração de dados de outro sistema | Não: o MVP começa com dados novos | Fica para depois |
Exemplos de MVP, do mais famoso aos que você pode baixar hoje
O exemplo mais famoso nem era um produto. Antes de construir o serviço inteiro, Drew Houston gravou um vídeo de três minutos mostrando como a sincronização de arquivos do Dropbox ia funcionar, feito para uma comunidade de pioneiros em tecnologia. A lista de espera do beta foi de 5.000 para 75.000 pessoas em uma noite, segundo ele contou a Eric Ries.
O vídeo funcionou como MVP porque media uma ação de quem usaria: entrar na lista. Era a pergunta que o Dropbox precisava responder antes de investir no resto. Hoje, para um app de serviço, quase sempre é preciso mais do que um vídeo: o usuário quer agendar, pedir ou pagar de verdade.
Estes são MVPs que a DIO construiu do zero, para os primeiros usuários, e onde cada um está hoje:
| Projeto | O que é | Onde está hoje |
|---|---|---|
| Baileando (Madri, Espanha) | App para iPhone e Android que encontra aulas, escolas, salões e eventos de dança perto de você | Na App Store e no Google Play |
| DietaGo (Rio Grande do Sul, Brasil) | App que monta dietas personalizadas com inteligência artificial em poucos segundos | Na App Store e no Google Play, nas contas do cliente |
| Club Serrano (Córdoba, Argentina) | Clube de assinatura que leva produtos das serras até a porta do sócio, com app e painel de gestão | Sistema no ar; o app, em construção |
Não publico horas nem valores por projeto: o preço de cada um é do cliente. A lista completa está em casos.
Quanto custa um MVP de verdade
Quase nenhuma empresa publica o preço de um MVP na página de serviços. Esta é a faixa que conferi em 29 de outubro de 2026, ao lado das da DIO:
A distância entre a primeira linha e as da DIO vem do jeito de trabalhar. Na DIO, agentes de IA escrevem o código e os testes a partir do planejamento aprovado, e eu reviso cada mudança antes de ela entrar. O preço fecha sobre esse planejamento e não muda no caminho.
Depois do lançamento, sobram contas pequenas: a Apple cobra US$ 99 por ano e o Google, US$ 25 uma única vez. Para o servidor, eu recomendo o Supabase, que começa de graça e tem plano pago a partir de US$ 25 por mês. Se o MVP é um aplicativo, a conta completa, com o que faz o preço subir, está em quanto custa criar um aplicativo.
| Quem | Faixa | O que entra |
|---|---|---|
| App simples ou MVP (Techlise) | R$ 20.000 a R$ 60.000 | Telas básicas, autenticação de usuário, consumo de API e publicação nas lojas |
| DIO, MVP de aplicativo | R$ 10.000 | 8 a 12 telas, um fluxo principal, login, painel simples, uma integração e publicação nas duas lojas; 4 a 6 semanas |
| DIO, MVP de sistema web | R$ 15.000 | O fluxo principal num sistema que se usa no navegador, com o código no seu nome; 4 a 6 semanas |
| DIO, produto sob medida (quando a ideia já se provou) | a partir de R$ 25.000 | Vários perfis de usuário, mais fluxos e integrações; 8 a 12 semanas |
Do MVP à loja de aplicativos: os prazos reais
O prazo de um MVP não é só o tempo de programar. Estas são as etapas, e de quem depende cada uma:
O teste fechado é a etapa que mais pega de surpresa quem publica o primeiro app. Ele vale para contas pessoais do Google Play criadas depois de 13 de novembro de 2023. Uma conta de empresa não passa por ele, mas pede o número D-U-N-S, que é gratuito.
Por isso, eu peço para abrir as contas das lojas no nome da sua empresa no começo do projeto, e não na semana do lançamento. E não prometo data de publicação: a aprovação é da Apple e do Google. Os detalhes de como publicamos estão em desenvolvimento de aplicativos.
| Etapa | Quanto leva | De quem depende |
|---|---|---|
| Conversa e planejamento | Até 3 dias úteis depois da conversa de 30 minutos | De nós dois |
| Construção | 4 a 6 semanas, a partir do planejamento aprovado | De mim, e das suas decisões a cada demo semanal |
| Revisão da Apple | Metade em menos de 24 horas e 90 % em menos de 48, segundo a Apple | Da Apple |
| Teste fechado do Google Play (conta pessoal nova) | 14 dias seguidos, com pelo menos 12 testadores | Do Google, e de você conseguir os testadores |
| Conta de empresa nas lojas | O tempo de tirar o número D-U-N-S, que a Apple e o Google pedem | De você, com os dados da sua empresa |
Depois do MVP: o que costuma aparecer
Se a ideia funcionar, os usuários começam a pedir justamente o que ficou de fora: outro perfil, um relatório, uso sem sinal. É a melhor notícia que um MVP pode dar. A próxima etapa deixa de ser palpite e passa a ser uma lista pedida por quem usa.
As lojas também mudam as regras todo ano, e o app precisa acompanhar as versões novas do iOS e do Android. Uma regra que já vale desde o lançamento: se o app deixa criar conta, a Apple exige que ele também deixe apagar a conta, de dentro do app. Na DIO, depois dos 30 dias de garantia contra erros, esses ajustes são por hora avulsa ou por pacote de horas, sem mensalidade obrigatória.
E se a ideia não funcionar, você soube cedo. Gastou o de um MVP e não o de um produto inteiro, e sabe por quê: os usuários reais usaram e você viu onde travaram. Em qualquer um dos dois finais, o código e as contas continuam no seu nome.
Perguntas frequentes
O que é MVP?
É o produto mínimo viável: a menor versão de um produto novo que já vai para a mão de usuários reais e ensina algo sobre eles. O mínimo é o esforço, não a qualidade.
Qual a diferença entre MVP e protótipo?
O protótipo mostra a ideia; o MVP é usado de verdade. Um protótipo pode ser só telas, sem dados nem segurança. O MVP tem login, guarda os dados dos usuários e fica no ar, mesmo que faça uma coisa só.
Quanto custa um MVP?
No mercado brasileiro, um app simples ou MVP fica entre R$ 20.000 e R$ 60.000. Na DIO, um MVP de aplicativo começa em R$ 10.000 e um de sistema web, em R$ 15.000, com o preço fechado sobre o planejamento aprovado.
Quanto tempo leva para fazer um MVP?
Na DIO, de 4 a 6 semanas, contadas a partir do planejamento aprovado. Se for aplicativo, some a revisão da Apple e do Google, que eu não controlo: por isso não prometo data de publicação.
Já fiz uma pesquisa com usuários. Ainda preciso de um MVP?
A pesquisa conta o que as pessoas dizem; o MVP mostra o que elas fazem. As duas coisas ajudam, mas só a segunda responde se alguém volta para usar. A pesquisa serve para escolher o que entra no MVP.
O código do MVP fica comigo?
Fica. O código vai para o seu repositório desde o primeiro dia, e as contas das lojas e do servidor ficam no seu nome. Se um dia quiser montar um time próprio, você leva tudo.
Quem me atende?
Eu, pelo WhatsApp, em até 1 hora (de segunda a sexta, das 9 às 20 h, horário de Brasília). Durante o projeto, toda semana você vê uma demo do que já funciona.